sexta-feira, 29 de agosto de 2014

A Ditadura do proletariado e os Anarquistas

A "ditadura-do-proletariado" — eis outra invenção de Karl Marx, outra obra autêntica do Marxismo, infelizmente, porém, também má.

Na "Crítica do Programa de Gotha", redigida por Marx em 1875, lê-se: "Entre a sociedade capitalista e a sociedade comunista, estende-se um período de transformação revolucionária, que vai da primeira à segunda. A este período corresponde outro, de transição política, durante o qual o Estado não pode ser outra coisa senão a ditadura do proletariado". Já antes, no "Manifesto Comunista" (1847), escrevera: "O primeiro passo na estrada da revolução proletária é o da ascensão do operariado ao posto de classe dominante. O proletariado aproveitar-se-á do seu domínio político para arrancar, pouco a pouco, à burguesia, todo o capital, para centralizar todos os instrumentos de produção nas mãos do Estado, quer dizer nas mãos do mesmo proletariado, organizado como classe dominante".

Mais tarde, Lenin reafirmaria, na sua obra "O Estado e a Revolução", a tese marxista: "Só é marxista aquele que estende o reconhecimento da luta de classes ao reconhecimento da ditadura-do-proletariado". E, mais adiante: "O proletariado necessita do Estado apenas durante certo tempo. A supressão do Estado, como idéia finalista, não é o que nos separa dos anarquistas. O que nos separa deles é que nós afirmamos que, para se chegar a essa finalidade, é indispensável utilizar temporariamente os instrumentos, os meios e os processos do poder político contra os exploradores, assim como, para suprimir as classes, é indispensável estabelecer temporariamente a ditadura da classe hoje oprimida". "O Estado desaparecerá, à medida que desapareçam as classes e não haja, por conseguinte, mais necessidade de oprimir nenhuma classe. Mas o Estado não estará completamente morto enquanto sobreviva o "direito burguês", que consagra, de facto, a desigualdade. Para que o Estado morra completamente, é necessário o estabelecimento do comunismo integral".

Socialismo sempre fora, antes de Marx, sinônimo de sociedade sem classes, isto é, sem classe dominante e classe dominada, ou seja sociedade de homens livres e iguais. Mais tarde, porém, apareceu Karl Marx, que falsificou o socialismo e inventou a "ditadura-do-proletariado", coisa inteiramente estranha ao socialismo. Depois de Marx, veio Lenin, que completou a obra de falsificação do socialismo, revelando-nos, em toda a sua hediondez, a verdadeira fisionomia do marxismo, quando, no seu programa econômico, tornado público às vésperas da revolução de Outubro (de 1917), consignou a seguinte definição: "O socialismo nada mais é do que o monopólio do Estado". Nestas palavras, mostrava-nos Lenin que, sob a capa da emancipação dos trabalhadores, o que os marxistas pretendiam era, nada mais, nada menos, do que estabelecer, não a ditadura do proletariado (pois este, no dia seguinte ao da revolução expropriadora e niveladora, seria a classe única, portanto toda a sociedade), mas a ditadura do partido comunista, que fundaria, como aconteceu, de conformidade com os programas de Marx e de Lenin, um Estado totalitário, mastodôntico, monopolizador de todas as atividades humanas, destinado a triturar impiedosamente, com a sua terrível dentuça, os trabalhadores.



Um comentário:

  1. Esse artigo é interessante para o debate no sentido de entendermos melhor como Marx entendia a ditadura do proletariado:

    http://teoriaerevolucao.pstu.org.br/marx-e-a-questao-do-programa-a-ditadura-do-proletariado/

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